PROPAGAÇÃO

Árvores de mangostão são unisexuais significando isto que há árvores “macho” e árvores “fêmea”. O problema é que até hoje ninguém conseguiu qualquer planta “macho”, e se existem são muito raras. Sem estas plantas masculinas significa que não há pólen, e embora a fêmea tenha antenas rudimentares, normalmente não tem pólen.

Tecnicamente as chamadas “sementes” não são verdadeiras sementes, mas sim eventuais embriões pois não houve fertilização. Quando o crescimento se inicia, um rebento emerge de um dos lados, e a raiz do outro.

As sementes de mangostão são apomíticas, ou seja, na sua formação, não há envolvimento de processo sexual, são de formato variável e apresentam comprimento entre 1,7 cm e 2,0 cm. Quando o fruto está completamente maduro, o teor de água das sementes ainda é bastante elevado, geralmente entre 58% e 67%.

Nos principais países produtores de mangostão, a formação de mudas é feita sexuadamente1, considerando-se que as sementes dessa espécie são apomíticas e, portanto, as plantas não apresentam variabilidade genética2. Quanto à germinação, as sementes perdem rapidamente a viabilidade e não podem ser conservadas pelos métodos convencionais de armazenamento, que têm como pressupostos básicos a redução do teor de água e o armazenamento em baixas temperaturas.

Alguns procedimentos têm sido indicados para manter a viabilidade das sementes por períodos que possibilitem o transporte das sementes de um local para outro. Normalmente, é recomendada a estratificação das sementes em substrato humedecido com água. O substrato para estratificação das sementes pode ser fibra de coco, pó de serragem curtida ou vernaculista. Alternativamente, as sementes podem ser conservadas dentro dos frutos ou em sacos de polietileno por períodos até 35 dias. Em condições favoráveis de temperatura e humidade, a quase totalidade das sementes germina entre 10 e 20 dias após ser semeada.

Após a transplantação (ou a remoção e transplante da planta do seu local de origem-viveiro, para replantação no local definitivo), as mudas devem ser mantidas em local sombreado, com 50% de luminosidade. As operações culturais no viveiro consistem na manutenção da humidade por meio de irrigações e na eliminação periódica de plantas daninhas que crescem no substrato.

Recomendam-se adubações foliares com produtos que tenham na formulação macro e micro nutrientes, assim como a aplicação preventiva, a cada dois meses, de fungicidas, para controlar eventuais doenças que possam ocorrer nos viveiros.

Quando bem manejada, após dois anos de viveiro, a muda apresenta 30 a 40 cm de altura e está pronta para a replantação no local definitivo ou para ser utilizada como porta-enxerto.

Quando bem gerida, após dois anos de viveiro, a planta ou muda apresenta 30 a 40 cm de altura e está pronta para a replantação no local definitivo ou para ser utilizada como porta-enxerto.

As árvores podem ser propagadas por enxertia de garfagem no topo em fenda cheia, embora os métodos de enxertia em fenda lateral e de encostia também possam ser utilizados. No processo de enxertia, são usadas, como porta-enxertos, plantas ou mudas de mangostão, com dois anos de idade. Os garfos ou enxertos devem ser retirados de ramos ortotrópicos (centrais), pois os ramos laterais formam plantas com crescimento lateral (plagiotropia). Após o processo de enxertia, o garfo e parte do porta-enxerto devem ser envolvidos por um saco transparente (para formar uma câmara húmida), a fim de evitar a evaporação da água e o ressecamento do enxerto. As mudas recém-enxertadas devem ser mantidas em local sombreado.

Embora a propagação ou reprodução assexuada3 reduza o período vegetativo até dois anos, na prática, tem sido observado que plantas propagadas por semente apresentam crescimento mais vigoroso e, quando adultas, suplantam em produção aquelas originadas de mudas enxertadas. Deste modo, a enxertia praticamente não tem sido utilizada na implantação de pomares comerciais. Na generalidade dos países produtores, também não se utiliza a propagação vegetativa na formação de pomares comerciais.

1 A formação de mudas por via sexuada significa que se utiliza a própria semente como órgão que multiplica a planta ou a semente é utilizada para gerar uma nova árvore. Normalmente é o método comum de propagação para pequenas plantações em pomares domésticos.

2 As plantas como são multiplicadas ou geradas única e exclusivamente através das sementes, e estas não resultaram de qualquer processo sexual, não tem a contribuição da parte “masculina”, logo a sua variabilidade em termos genéticos e nula, ou seja, são geneticamente iguais à planta mãe. E isto significa que não apresentam variabilidade genética.

3 A reprodução assexuada consiste na propagação de partes vegetativas da planta (tais como estacas, divisões, enxertos ) e que têm a capacidade de regeneração. As plantas originadas desta forma dá-se o nome de clone. Este e um material geneticamente uniforme pois tem origem num único indivíduo, e como tal reproduz toda a informação genética da planta-matriz.


 

Mapa do site:
Home | Introdução | Descrição | Origem e Distribuição | Variedades | Clima | Solo | Propagação | Cultivo | Floração e Crescimento | Conservação | Pestes e Doenças | Xantonas do Mangostão | Receitas Culinárias | Xango - Sumo de Mangostão | Contactar | Quem somos | Politica de privacidade

Copyright © 2008 Paulo Rebelo